Sensibilidade da Ultrassonografia Obstétrica Morfológica do Segundo Trimestre na Detecção de Malformações Congênitas

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As malformações congênitas tem tido importância cada vez maior na taxa de mortalidade infantil, conforme surgem avanços na assistência neonatal dos recém nascidos morfologicamente normais e melhorias nas condições socioeconômicas. O papel das anomalias congênitas como causa de óbito é tão maior quanto menor a mortalidade infantil.

Nos países desenvolvidos, as malformações congênitas chegam a ser responsáveis por 20% da mortalidade neonatal e 30% da mortalidade perinatal. Em países em desenvolvimento, especialmente na América Latina, ainda há dificuldade em obter informações sobre a freqüência de defeitos congênitos em virtude da deficiência no diagnóstico e de estatísticas de saúde confiáveis. Alguns estudos sobre morbidade infantil, realizados em centros urbanos desses países, indicam que as enfermidades genéticas e os defeitos congênitos representam 10-25% das internações em estabelecimentos de assistência terciária.

Malformações congênitas são classificadas em maiores e menores, conforme Marden et al.. As malformações maiores, caracterizadas por causarem efeitos adversos funcionais ou prejuízo na aceitabilidade social do indivíduo6, são descritas em no mínimo 2% dos recém nascidos, tendo, portanto, impacto importante na morbimortalidade, figurando como uma das dez maiores causas de óbito infantil (art 4/ ref). Algumas malformações menores, que são aquelas que não causam conseqüências médicas para os pacientes, também podem ser visualizadas no exame ultrassonográfico.

Nas últimas décadas, houve um aumento no diagnóstico ultrassonográfico de malformações congênitas, como conseqüência da especialização contínua dos ultrassonografistas e a realização da ultrassonografia morfológica no segundo trimestre. O diagnóstico pré natal dessas anomalias possibilita planejar os cuidados antenatais e neonatais. Após a visualização desses defeitos é possível o encaminhamento destas gestantes a centros especializados para acompanhamento e aconselhamento, permitindo um manejo adequado da gestação e do parto. Em alguns casos, o diagnóstico gestacional possibilita, inclusive, a terapêutica intra-útero, embora ainda sem altas taxas de sucesso.

Dra. Larissa Quintela
Dra. Larissa Quintela

A maioria dos órgãos fetais está desenvolvida até a 20ª semana de gestação, permitindo a detecção da normalidade, exceto o encéfalo cujo desenvolvimento estrutural continua no período neonatal. Em alguns estudos, a sensibilidade para detecção de anomalias fetais, abaixo da 24ª semana de gestação, foi de 93% para o sistema nervoso central, 45,2% para o sistema cardiovascular, 85,2% para o sistema gastrintestinal, 85,7% para o sistema urinário, 84,6% para o sistema músculo-esquelético e 95,2% para as outras anomalias encontradas. Assim, sugere-se que a ultrassonografia em torno da 20ª semana de gestação pode detectar a maioria das anomalias congênitas, sendo este o momento ideal para aquisição das imagens, sua interpretação e definição de normalidade. Quando realizada em conjunto com a ultrassonografia morfológica de primeiro trimestre, realizada entre 11 e 14 semanas, a taxa de detecção de anomalias fetais graves pode chegar a quase 100% em populações de alto risco e a 81% em populações não selecionadas.

 

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